domingo, 14 de abril de 2013

ARTUR DE ARAUJO PEREIRA RAMOS “O CIENTISTA DA FAMÍLIA”





      


        Nascido em Alagoas no ano de 1903, Artur de Araujo Pereira Ramos é filho de Dr. Manoel Ramos de Araujo Pereira e de Ana Ramos de Araujo Pereira. Dr. Manoel Ramos de Araujo Pereira sempre foi conhecido em Pilar e região como Dr. Ramos (Médico formado pela Faculdade da Bahia), sendo o mesmo o elo que liga os Araujo Pereira que ficaram na Zona da Mata Norte de Pernambuco, dos que fugiram para a região que fica entre Bom Conselho - PE e Quebrangulo – AL, mais precisamente na Fazenda Cacimbinhas. Meu avô materno Simplício Olavo de Araujo Pereira tinha por este primo uma consideração toda especial. Do casamento de Manoel Ramos de Araujo Pereira e Ana Ramos de Araujo Pereira nasceram: Luis, Evangelina, Raul, Nilo, Aluisio, Georgina, Julieta e Artur de Araujo Pereira Ramos, o nosso cientista.

        Quando o viajante alemão Hans Staden escreveu, na metade do século XVI, sua “História Verdadeira e Descrição de um país de Selvagens Despidos e Antropófagos” um relato dos costumes dos índios tupinambás. A primeira pesquisa antropológica do campo acabava de ser feita no Brasil. Três séculos depois, quando Dom Pedro I subiu a bordo dos navios que traziam imigrantes europeus e comparou sua estatura com a deles, costas as costas estavam sendo feitas as primeiras mensurações antropológicas registradas na história do país. Acasos e improvisações, no entanto, só cederam lugar aos estudos científicos no século XX, com Curt Ninuendaju, Nina Rodrigues e, entre eles, Artur de Araujo Pereira Ramos (1903 – 1949), antropólogo e folclorista, autor de 458 trabalhos originais sobre psicanálise, higiene mental, educação, religião e folclore, é hoje reconhecido como grande pioneiro da antropologia aplicada no Brasil.

         Formado em medicina, Ramos abandonou a psicopatologia em 1934 – de onde havia partido como seu mestre, Nina Rodrigues, e resolveu dedicar-se aos estudos antropológicos, publicando o livro “O Negro Brasileiro”, que projetou seu nome. Sua obra mais importante, entretanto, apesar de básica para todos os estudiosos de ciências sociais, continuava esgotada desde que a Segunda edição de 1951, foi inteiramente vendida.


     Em quatro volumes (“O Negro na Civilização Brasileira”, “As Culturas Indígenas”, e “As Culturas Européias”), a “Introdução” examina as culturas Negras, Indígenas, Européias e os contatos raciais e culturais no Brasil.

         Preparada durante a Segunda Guerra mundial reúne todo o conhecimento da época sobre o homem brasileiro, suas origens e manifestações. Embora a bibliografia que Ramos relacionou daquele período lhe era estranha, sua obra se ressente, em alguns pontos, das transformações que a antropologia, ciência nova, sofreu durante as rápidas mudanças operadas no mundo nos últimos trinta anos. Os dados antropométricos, por exemplo, muito usados numa época em que fé e propaganda política falava em tipos branquicéfalos (indivíduo cujo crânio tem forma de um avo) e delicocéfalo (indivíduo cuja largura do crânio tem quatro quintos do comprimento), foram depois relegados a segundo plano na antropologia. Pequenas omissões, porém, não são suficientes para reduzir a importância da obra de Artur Ramos, antes de tudo pioneira e vasta.


         De fato, sua  “Introdução à Antropologia Brasileira” compõe um mosaico que representava gente de todas as nacionalidades convivendo pacificamente no cenário rico e único de um grande país acolhedor, trazendo e fundindo suas culturas de origem, para a formação de algo ainda indefinido, mas de grandeza previsível. Negros, Índios, Judeus, Holandeses, Portugueses, Espanhóis, Ingleses e Franceses, imigrantes de todas as latitudes, enriquecendo o patrimônio de um país, somando culturas, temperamentos, tipos físicos diversos – essa a visão global transmitida pela obra de Artur Ramos.

         Alguns conceitos modernos, entre eles o de desenvolvimento, surgiram desse trabalho, em que se evidenciava antes de tudo a preocupação com o bem-estar e a dignidade do homem. Em conferência que realizou em 1941, na Sociedade Brasileira de Antropologia – é o etnólogo Manuel Diegues Junior quem lembra no prefácio de um dos volumes -, Artur Ramos pregava a aplicação dos resultados da antropologia à solução dos problemas do homem brasileiro. Sem esse sentido, ele achava que essa ciência social perdia muito do seu significado e corria o risco de passar por um jogo fascinante, mero entretenimento intelectual.

         Essas conclusões, de certa maneira, ficam enfeixadas pelo quarto volume da “Introdução”, dedicado ao que o autor chama de “a grande aventura européia em terras do Brasil”. Nele, Artur Ramos traça com minúcias as características raciais das principais correntes migratórias que ajudaram a compor a população brasileira e continuaram gerando tipos novos e imprevistos.

         Apesar de sua idade, a obra de Artur Ramos, especialmente nesses estudos, permanece atualizada – por sua imensa coleta de material e por sua exposição pormenorizada. Médico, Professor, Chefe do serviço de Higiene Mental do antigo Distrito Federal e Chefe do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO, em Paris, Artur Ramos não teve, muitas vezes, por premência de tempo ou por modéstia, a intenção de interpretar, a não ser em suas linhas gerais, a infinidade de dados de que dispunha. Mas a realidade em que baseou sua obra não envelhece nem depende de pontos de vista.

         Na cidade de Pilar - AL, terra natal de Artur de Araujo Pereira Ramos, existe um museu na casa que nasceu o ilustre parente.

Escrito por José Roberto Pereira.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Zé Roberto Colunista do Jornal A Gazeta de Bom Conselho ...






Noticiamos como muita alegria que o bom-conselhense do Distrito de Rainha Izabel, Zé Roberto, Colunista do Jornal A Gazeta de Bom Conselho,  Jornal esse, dirigido pelo Jornalista Luiz Clério Duarte, passa escrever suas matérias também para o blog da Casa da Cidadania.

Com a Matéria “Bom Conselho, Palmeira dos Índios, Quebrangulo, o Jornalista e Colunista José Roberto Pereira da Silva, apresentador por muitos anos do Programa “Tribuna Livre”, estreiou em nosso humilde blog.

A Saga da Família Araujo Pereira, O Nordeste Brasileiro e a Civilização Árabe, Revolução de 1817, Artur de Araújo Pereira Ramos “O Cientista da Família” e Pernambuco Imortal Imortal! Todas de autoria do Jornalista, José Roberto Pereira, em breve aqui. Aguardem!

domingo, 7 de abril de 2013

BOM CONSELHO, PALMEIRA DOS ÍNDIOS, QUEBRANGULO




FATOS HISTÓRICOS.


-   Comendador Cristóvão de Burgos e Contreiras?
-   Ele mesmo.
-   Sua Excelência, o Governador de Pernambuco, irá recebê-lo.

A dúvida do Comendador era grande.
Será que o Governador iria acatar seu requerimento solicitando novas glebas de terras (Sesmarias)?

     Estas terras ficavam ao sul das terras do Quilombo Castainho, em Garanhuns. A Sesmaria de Garanhuns já pertencia ao seu amigo e compadre Nicolau Aranha Pacheco.

     Estamos no Século XVII, aproximadamente em 1663, e a luta contra o Quilombo dos Palmares era grande. O Quilombo dos Palmares, com seu Rei Canga Zumba, tinha sob sua posse 27.000 Km2 de terras que compreendiam desde o Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco até o Rio São Francisco em Penedo Alagoas.

     A família do Comendador sempre lutou contra os negros e índios. Umas das armas usadas pelo Governo Holandês Mauricio de Nassau foi o envio do espião Bartolomeu Lintz para viver entre os negros e realizar um levantamento completo dos palmarinos.

     De acordo com o Bartolomeu Lintz, existia nesta região mais de 6.000 negros. Uma das expedições contra os negros de Palmares tinha o comando Holandês João Blaer e foi realizada em 1645. O Holandês partiu de Penedo - AL em direção a Porto Calvo, passando por onde existem hoje as cidades de Arapiraca, Palmeira dos Índios, Bom Conselho, Lagoa do Ouro e em linha reta até Porto Calvo – Alagoas.

     Durante vários meses o Capitão Holandês João Blaer ficou nas terras onde hoje é a região do Bulandi, em Bom Conselho.

     Detalhes a considerar:
     Existe ainda hoje uma família HOLANDA em terras que ficam ao sul de Bom Conselho:

     Entre Penedo - AL e Porto Calvo - AL a trilha pela Mata Atlântica passava por Bom Conselho, passagem obrigatória de quem vinha por terra.
     Nesta época, aproveitando a luta entre Pernambuco e Holandeses, a luta pela posse da Coroa Portuguesa por espanhóis, o grande líder do Quilombo dos Palmares Canga Zumba iniciou uma aproximação política entre sua gente com os portugueses, os holandeses, os espanhóis e os índios. O que Canga Zumba desejava era apenas viver com sua gente por esta região.

     O velho Rei conseguiu o seu intento.

     Havia escravos em Palmares?
     Havia. Pela própria cultura negra quando havia guerras entre tribos os vencedores aprisionavam os vencidos e não poderia ser diferente no Quilombo dos Palmares.

     Durante grande período esta paz foi estabelecida e se não fosse à traição de Zumbi a história desta parte do nordeste poderia ser diferente.
    
     Criado por um padre de Porto Calvo, Zumbi sabia ler e escrever, tendo um ódio mortal aos brancos, apesar de ter entre suas esposas uma mulher branca.

Vaidoso, autoritário, Zumbi não concordava com os métodos humanos do Canga Zumba.     Aproveitando pequena revolta de alguns negros, Zumbi envenenou o Rei Canga Zumba, assumiu o comando dos Palmares e reiniciou a guerra contra os brancos.

-   Sente-se Comendador Cristóvão de Burgos e Contreiras.

-   Obrigado Governador

-   Comendador pelos serviços prestados por vossa senhoria na luta contra os negros palmarinos e na luta contra os índios Fulniôs e Xucurús, seu requerimento solicitando uma Sesmaria foi aceito pelo Rei Dom Felipe do Reino Unido de Portugal e Espanha.

-   Comendador Burgos e Contreiras, as terras estão localizadas ao Sul da Sesmaria de Nicolau Aranha Pacheco (Garanhuns) e ficam aproximadamente na latitude sul 9 graus e longitudes 36 graus.

A Sesmaria do Comendador Cristóvão de Burgos e Contreiras representa hoje as terras dos Municípios de Saloá, Teresinha, Iati, Lagoa do Ouro, Correntes, Bom Conselho, Palmeira dos Índios e Quebrangulo.

         Nesta vasta propriedade, o Comendador Burgos e Contreiras, fundou duas fazendas: A Fazenda dos Burgos, posteriormente Fazenda Nossa Senhora do Desterro e a Fazenda dos Portos, que passou a se chamar Sítio da Conceição.

         Os negros que restavam do que ficou de Palmares assaltavam sempre estas fazendas. Desta forma, as fazendas do Comendador foram ocupadas por muitos anos pelos negros que nas terras da primeira (Burgos) formaram o Quilombo da Maria Negra (atualmente Sítio Muniz) e nas terras da Segunda (Portos) o Mocambo de Pedro Papa Caça (atualmente cidade de Bom Conselho – PE) os territórios de Bom Conselho, Palmeira dos Índios e Quebrangulo, em seu início, fazendas de criação, ficaram sob domínio dos negros de Palmares de 1645 a 1695.
        
         Todas as famílias desta região têm quantidade de sangue negro/índio em suas veias maior que o sangue o sangue branco (grande minoria ao final do Século XVII). Ninguém, filho de famílias desta região, pode ser considerado como branco autêntico.
         No começo do século XVIII, Manuel da Cruz Vilela comprou aos herdeiros do Comendador Cristóvão de Burgos e Contreiras grande parte da Sesmaria original. Manuel da Cruz Vilela ficou sendo único dono das terras dos municípios de Bom Conselho e grande parte das terras de Palmeira dos Índios e Quebrangulo. Esta compra foi realizada em 23 de julho de 1712.

         Com a morte do Velho Manuel Villela, seu filho Antônio Anselmo da Costa Villela assumiu as fazendas e associando-se a Joaquim Antônio da Costa deu início ao povoamento de Bom Conselho - PE.

Escristo José Roberto Pereira da Silva (Zé Roberto)